quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Livros, livros e mais livros...

Como médica, tenho diversos livros sobre medicina e pediatria, incluindo tratados de pediatria, ortopedia, otorrino e neurologia para pediatras, comportamento infantil... porém, em nenhum deles há quaqluer menção sobre rotina no primeiro mês de vida.

Por conta disso, comprei livros direcionados para leigos, como A Vida do Bebê, li revistas para gestantes e mães, mas nada me preparou para o desespero que tomou conta de mim na terceira semana de vida da minha nenê, quando passou a chorar a noite inteira e a dormir o dia inteiro (sem contar as mamadas).

Cantei todo o repertório de canções de ninar que tinha, dei remédio pra cólica, coloquei bolsa de água quente no moisés, troquei fraldas, fiz massagem, ou seja, tudo o que eu sabia que podia melhorar o choro e fazer a criança dormir, eu fiz.

O difícil é que ela trocou completamente o dia pela noite. Mama seis vezes à noite e quatro durante o dia... agora vou tentar fazer a mocinha mamar mais de dia e ver no que isso vai dar. E isso, quase nenhum livro explica como fazer.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Escolhendo o pediatra

Muita gente pode pensar que, por ser pediatra, não precisaria levar a minha nenê em um pediatra.

É justamente o contrário. Por ser pediatra, preciso de um profissional para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento da minha filha, pois saber a teoria nem sempre corresponde a acertar na prática, principalmente quando se trata de alguém com o qual tenho grande ligação emocional. Raramente um médico cuida de alguém de sua família por causa disso, a chance de erro por super ou subvalorização dos sintomas é muito grande.

Então... duas semanas antes do nascimento da nenê, comecei a ligar para os pediatras que conheço e confio. Em três deles, a agenda estava lotada para casos novos... o que me levou a procurar pediatras que não conhecia, pois queria alguém mais perto da minha casa para não precisar deslocar a nenê de carro por distâncias longas.

Se arrependimento matasse, eu estaria debaixo de sete palmos de terra a essa hora.

Começou com a pediatra olhando pra gente e falando "ah, é nenê?". Falei que queria amamentar até ela fazer dois anos, sendo cinco meses em aleitamento materno exclusivo, pois só voltaria a trabalhar em fevereiro, e ela me respondeu que era muito difícil, pois teria que ordenhar o leite no trabalho. No exame físico, não fez o teste do olhinho, não fez o exame neurológico de primeira consulta, falou que a nenê estava muito amarela e que havia risco de dano cerebral, que havia um "clique" no quadril direito chamado Sinal de Ortolani* e que, se não passasse até o 4º mês de vida, iria pedir um ultra-som. Não falou nada sobre vacinação ou sobre vitaminas.

Saí de lá aos prantos e fui ao centro de saúde para dar a BCG na nenê. Sorte que a auxiliar da sala de vacinas chamou a pediatra do centro de saúde, que reavaliou a nenê e disse para eu ficar tranquila, pois a icterícia era pouca.

Marquei outra consulta com um pediatra conhecido, que havia me dado aula no CAISM, recomendado também por uma amiga. Contei o que tinha acontecido e ele examinou tudo. Não achou o Sinal de Ortolani, também achou que a icterícia era pouca, fez os exames que não haviam sido feitos e pediu retorno em 15 dias para ver o ganho de peso. Falou sobre vacinas e me tranquilizou, deixando o telefone à disposição caso precisasse.

 Fica aqui a recomendação de sempre, mas sempre procurar um profissional com recomendações de conhecidos, ainda mais quando se tratar da saúde de nossos filhos. O stress que passei com a primeira pediatra foi tamanho, que nesse dia tive redução da produção de leite.

* Sinal de Ortolani: quando positivo, indica luxação congênita do quadril, ou seja, a cabeça do fêmur não está totalmente encaixada no quadril, então quando fazemos a rotação externa das coxas, sentimos um "clique" que corresponde à cabeça do fêmur encaixando no quadril.

domingo, 27 de setembro de 2009

Pagando a língua

Desde muito nova, minha mãe me contou que a vida dá muitas voltas e que, um dia, eu poderia "pagar a língua" de muitas coisas que eu falasse ou orientasse.

Não deu outra.

Depois do nascimento da nenê, minha sogra e minha mãe foram várias vezes ao shopping comprar as coisas que eu não tinha adquirido durante a gravidez porque achava que não seria necessário:

- Esterilizador: como uso intermediário de silicone, preciso garantir que ele estará limpinho na hora da mamada.
- Chupeta: minha mãe comprou uma e, minha sogra, outra. Comigo, não pega nenhuma das duas. Com o pai e com as avós, pega a que tiver na frente.
- Fralda RN: me falaram que usaria, no máximo, dois pacotes. O resultado disso foi que fiquei quase um dia sem fralda Turma da Mônica Soft Touch RN porque não achava no meu bairro.
- Roupa RN: sim, se você tiver um quintal ensolarado à sua disposição, realmente a quantidade do enxoval básico dá conta... mas e se vier uma frente fria logo depois do nascimento da bebê?
- Absorventes para seios: eu tinha só um pacote de 24 unidades, pois pretendia usar as conchas. Só que minhas mamas encheram tanto no terceiro dia, mas tanto, que vazava muito e as conchas me machucavam, porque o leite estava começando a empedrar.

Claro, até a nenê fazer aniversário, vou encontrar mais coisas para as quais pagarei a língua.

sábado, 26 de setembro de 2009

Dando de mamar


Não serei hipócrita e não direi que sei amamentar com perfeição por ser pediatra. Justamente por ser pediatra, já esperava as dificuldades e os problemas que me esperavam quando engravidei.

Para me ajudar, minhas amigas ginecologistas do centro de saúde me deram amostras de Mamare (da Eurofarma) para usar se meus mamilos rachassem e sugeriram o uso do Lansinoh para preparar os mamilos e para quando eles sangrassem.

O Lansinoh é importado, pedi para um amigo nos Estados Unidos me mandar. Trata-se de lanolina padrão hospitalar, com alto poder hidratante e cicatrizante, que pode ser mantida nos mamilos na hora da amamentação, ao contrário de outros medicamentos, que exigem que a mãe lave as mamas antes de amamentar. No Brasil, agora podemos encontrar a lanolina comercializada pela Mantecorp, com o nome Lanidrat. Não experimentei o Lanidrat ainda, então não posso dizer se é igual ao Lansinoh, mas pela propaganda, provavelmente é.

Quando levaram a nenê para mamar pela primeira vez, ela grudou na minha mama com gosto e já senti a fisgada de colostro descendo. Porém, quando ela largou o mamilo, vi que não seria fácil amamentar, pois percebi que ela não conseguia manter a pega correta (abocanhando a aréola), por mais que eu a tirasse da mama e a recolocasse. Perdi a conta de quantas vezes chamei a enfermeira para me ajudar, pois estava tentando colocá-la como "mãe", segurando a cabeça com o meu braço.

De madrugada, desisti e peguei a cabeça da nenê como "pediatra"; segurei firme a cabeça dela e a levei de encontro à prega feita com a outra mão, para só então deslizar o corpinho dela pelo meu braço, repousando a cabeça na dobra do cotovelo. Funcionou, mas logo ela soltava e chupava o mamilo de novo...

... e logo tudo rachou. E eu não tinha levado o Lansinoh na mala, como saí correndo na madrugada, o tubo ficou em cima da pia do banheiro! Fiz o maridão levar o Lansinoh no horário de visita do dia seguinte e tudo melhorou...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Em casa, finalmente

O dia seguinte na maternidade foi tranquilo, com direito a caminhadas pelo corredor vazio com a nenê no colo durante a madrugada. Na manhã, eu já estava desesperada para ir pra casa, então aproveitei o período em que a nenê ficou no berçário esperando a avaliação do pediatra e corri pro chuveiro, tomei um banho, coloquei a roupa de ir embora, incluindo minha meia elástica (ou meu tênis não entraria nos meus pés), arrumei as malas e fiquei esperando a alta.

Nesse tempo de espera, senti o que as mães sentem quando eu falo que a criança tem que ficar internada. Não é sua casa, não é sua cama, tem um negócio preso na sua mão, para andar tem que arrastar um suporte de soro pra cima e pra baixo, tudo o que você mais quer é ouvir o médico falar que você vai para casa com sua cria.

Enfim, recebemos alta do pediatra e da obstetra e fomos para casa. Nenê quase desapareceu dentro da cadeirinha e mal conseguimos prender o cinto de segurança nela, de tão pequenininha. Saiu da maternidade dormindo e assim ficou até entrar em casa, onde a família nos aguardava.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O primeiro baile e cadê o xixi?

Obviamente, nem tudo seriam flores depois do nascimento do meu bebê.

Na primeira noite, começou o "baile da madrugada". Quem foi que disse que consegui dormir na maternidade? Colocava no bercinho, abria um bocão e ficava resmungando sem parar. Apagava as luzes, berrava. Eu fechava os olhos, ouvia o "nham nham nham" de quem estava com fome. E era só pegar no colo que tudo se resolvia... mamava os dois peitos a cada 2 horas, feliz da vida, enquanto eu procurava a melhor posição para amamentar, aquela que não arrancaria o soro da minha mão e que não forçaria os pontos da cesária.

Mas teve outro detalhe que não me deixou dormir: cadê o xixi dessa bebê? A cada mamada, eu trocava fralda suja de mecônio, mas nada de xixi! Chamei a enfermeira, que levou a nenê pro berçário e, na volta, me avisou que tinha xixi junto, então já aproveitou pra lavar o bumbum antes de colocar a fralda.

E comigo, nada de xixi.

Desesperada, liguei para duas amigas pediatras, uma delas neonatologista, que se divertiu com o meu esquecimento temporário de Pediatria e me lembrou que o recém-nascido pode ficar as primeiras 24 horas sem fazer xixi. Detalhe: eu fazia sala de parto e avaliação de recém-nascidos até um ano atrás.

No dia seguinte, pedi pra minha mãe comprar uma chupeta. Sim, joguei a toalha depois de uma noite maldormida.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

No quarto...

Durante a gravidez, fiz meu marido me jurar que, se me encontrasse largada, hipopoteando em cima da cama, chorando e reclamando de dor, era pra me tirar de lá na marra. Durante a minha faculdade, cansei de ver puérperas deitadas, queixando-se de prisão de ventre e de dor pós-cesária, recusando-se a caminhar mesmo depois que nós explicávamos que nada iria melhorar se não tentassem ficar de pé e andar um pouco, mesmo que fossem alguns passos.

Por conta disso, quando as enfermeiras entraram para me ajudar no banho, fiz questão de ir andando e de entrar no chuveiro sozinha, sob os olhares atônitos da minha mãe e do meu marido. Como estava sob o efeito do cetoprofeno, não estava sentindo uma dor que me impedisse de ficar de pé.

Depois do banho, continuei caminhando aos poucos no quarto, levando o suporte de soro para onde eu fosse. Como previsto, funcionou, logo comecei a sentir os gases se movimentando dentro da minha barriga. Meu próximo desafio seria voltar a urinar, pois eu havia sido sondada durante a cirurgia.

Nos intervalos das minhas andanças, meu bebê mamava. E meus peitos começavam a se encher de colostro, que ela sugava com avidez.

domingo, 20 de setembro de 2009

Como tudo começou

Minha gravidez não foi exatamente o que eu chamaria de tranquila. Não tive inchaço, pressão alta ou muitos vômitos, mas por conta de uma suspeita de incompetência istmo-cervical, fiquei 75 dias em repouso absoluto em casa. Além disso, uma sinéquia uterina me impediria de tentar o parto normal. Por causa disso, minha cesária foi marcada para a 38ª semana de gestação e, se algo acontecesse, teria que correr para o hospital antes que eu entrasse em trabalho de parto.

Costumamos dizer que ser médico é fator de risco para imprevistos e complicações. Como não poderia deixar de ser, dois dias antes do dia da cesária, na madrugada, senti um molhadinho na roupa. Quando me levantei, vi que havia um líquido na calcinha, com cheiro de água sanitária.

Acordei meu marido e chamamos o táxi para irmos à maternidade. Chegando lá, fui atendida pelo plantonista, que entrou em contato com a minha obstetra e decidiram fazer a cesária na madrugada mesmo.

Minha filha nasceu às 3h20min da manhã de uma quinta-feira, saudável, Apgar 9/10, à termo. Eu fui para a recuperação pós-anestésica (RPA) para esperar a hora de ir para o quarto. Às 8h, fui para o quarto e logo trouxeram o meu bebê, que abocanhou o meu peito com fome e vontade.

Aí começava a mais nova aventura da minha vida.

O que é o "Mamãe Pediatra"?

O Mamãe Pediatra é um lugar para compartilhar experiências. No meu caso, as experiências de quem estudou seis anos para cuidar de pessoas e três anos para cuidar de pequeninos, mas nos cuidados de sua própria cria.

Não esperem diagnósticos acurados, relatos de casos ou dados provenientes de estudos científicos e sim relatos de uma mulher que possui todos os conhecimentos técnicos para cuidar de seu bebê, com todas as angústias e dúvidas de uma mãe. Isso causa um choque entre o racional e o emocional, pois muitas vezes saberei o que está acontecendo e como contornar a situação, mas emocionalmente, estarei em frangalhos.

E, depois de passada a tormenta, certamente darei boas risadas do que aconteceu. São essas situações que pretendo compartilhar com os leitores do blog.
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