segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Mamãe pediatra sofre igual a qualquer mãe...


Quinta levarei a Denise em mais uma consulta de rotina no pediatra (bem... nem tanto de rotina, digamos que fui vencida por uma micose do c¨%$¨&(@o e já estou no segundo tubo de cetoconazol = hora de uma segunda opinião antes que eu surte) e já estou me preparando psicologicamente para o escândalo que ela fará no consultório.

É um medo irracional: eu explico, falo que o pediatra NUNCA fez dodói nela (e nunca fez mesmo), que é pra ouvir o coração (dei uma maleta de médico júnior no dia das crianças pra ver se ela para de chorar), pra ver se ela cresceu, se engordou, se está tudo bem com ela... mas nunca dá certo.

O pior é que, aliado ao show no consultório, ainda vem o "não, mamãe, não" de quando eu começo a contar o que ela está fazendo de arte, incluindo o "não quero verde, obrigada". Eu sei que é fase, que tenho que ter paciência, mas tenho que desabafar com alguém, não tenho? Então sobra pro coitado do Dr. Luis ouvir as minhas lamúrias como qualquer outra mãe.

Antes disso, amanhã é outro dia, com mais uma agenda, mais crianças. E a certeza de que somos todas iguais :)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sempre aprendendo


Várias vezes (e hoje não foi exceção), as mães comentam no consultório que eu devo ter estudado muito para compreender as crianças.

Na verdade, estudei um tanto razoável, mas continuo lendo e estudando até hoje, com dicas de colegas e procurando informações na literatura. Uma das boas dicas que recebi e que queria compartilhar com vocês é a leitura do livro "Diálogos sobre a afetividade", do Ivan Capelatto.

É baseado em um programa de rádio que o autor fazia, respondendo perguntas de pais, mães e cuidadores. É uma leitura leve, gostosa, que nos ensina muito sobre a importância dos limites na formação das crianças.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Por que pediatras não gostam de... (parte II)

... descongestionante nasal?

Todas as mães e pais já passaram noites em claro, com as crianças respirando de boca aberta, o nariz entupido, escorrendo e com o frasco de soro fisiológico ao lado da cama. Já perdi a conta de quantas vezes ouvi a  frase "só um sorinho" sendo dita com tom de horror e indignação pelos pais, depois de orientar a higiene nasal com soro fisiológico.

Isso sem contar quantas vezes também já ouvi a pergunta "posso usar um descongestionante nasal na criança"?

Por que não usamos esses tais descongestionantes?

Porque os de uso adulto têm uma substância chamada nafazolina, que, em crianças (principalmente nas menores de 1 ano, os lactentes), pode causar depressão do sistema nervoso central (SNC), letargia, diminuição da frequência respiratória e da frequência cardíaca, hipotermia, sendo necessária, muitas vezes, a internação em UTI para monitorização e suporte. Quem tem conta no Facebook deve ter visto a história de uma mãe contando o que aconteceu com sua filha de 10 meses após usar um descongestionante nasal.

Mesmo os de uso pediátrico não são compostos só de soro fisiológico. Muitos contém cloreto de benzalcônio, um agente conservante que pode irritar a mucosa do nariz. Para saber se o descongestionante nasal infantil que você está comprando tem ou não o cloreto de benzalcônio, peça para ler a caixa antes de comprar, essa informação está em letras miúdas na lateral.

E os "xaropes anti-alérgicos"?

A maioria deles não tem segurança comprovada para menores de 2 anos e ainda existem algumas medicações que chamamos de poli-fármacos, que, para crianças pequenas, não são recomendadas MESMO, porque têm de 2 a 3 medicamentos misturados juntos e, no caso de uma alergia, como saber o que veio primeiro, o ovo ou a galinha...?

Portanto, eu sei que é chato, eu sei que a gente não dorme, que a criança não gosta de sorinho, muito menos de "fumacinha", mas soro fisiológico ainda  é o melhor descongestionante nasal para crianças (e adultos).

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Semana da criança!

Digamos que esta semana da criança foi meio... tumultuada. 

A escolinha da Denise estava com uma programação linda, com gincana, passeios, dia da beleza e eu e o papai estávamos ansiosos para ver como ela se divertiria com tantas atividades.

Isto é... se não fosse a febre. Ela já entrou na semana com 4 dias de febre, levei ao pronto-socorro (porque depois da mononucleose decidi que não trataria mais de parente NENHUM) e voltei com soro fisiológico, dipirona e paracetamol, pois poderia ser um resfriado, pelo tempo de doença. Mandei na terça pra escolinha, curtiu bem o dia da beleza, voltou linda, de macacão saruel e... com febre. Teve febrão na madrugada, foi um auê.

Batendo claras em neve. Pelo menos era o que ela achava que estava fazendo.
Aí, na quarta, dia das crianças, cancelei a ida ao clube e minha mãe veio fazer bolo pra Denise levar no passeio de hoje. Foi um caos. Ela até ajudou a fazer o bolo, mas depois chorou, não quis banho, não quis almoço, a febre não passava... aí toca a família toda voltar pro pronto-socorro. 

Resultado: adenoidite. 14 dias de amoxicilina. Passeio no clube cancelado. Mamãe em casa de atestado com a nenê.

Mas valeu a pena. Ela está ótima, após a segunda dose do antibiótico, rindo, feliz, comendo bem. Amanhã já voltará pra escolinha, pois as doses serão dadas em casa.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A chupeta... de novo

Só para dizer que não, a D não esqueceu sua chupeta...

... anteontem perdi a pomada de cetoconazol que estou usando pra tratar a &*((^@ da micose no braço dela. Aí fiquei procurando pela sala, "cadê, cadê, alguém viu a pomada verde?"

Resposta da mocinha: cadê, cadê a pomada verde? E agora? E agora? Cadê chupeta da D?

sábado, 1 de outubro de 2011

Bombinha

Não, não me refiro à bombinha de São João ou à cidade de Bombinhas (aliás, preciso descer até Santa Catarina pra levar a Fofa pra praia... sem chuva). Como tudo neste blog tem razão de ser, aproveitei a terceira crise de chiado da mocinha pra falar um pouco sobre as "bombinhas" e desmistificá-las.

Mamãe, não vou precisar fazer mais fumacinha?
Uma das maneiras de levar a medicação para os pulmões é pela inalação no hospital ou inaladores domésticos, como o que temos em casa. Qual o problema com a inalação?
  1. A criança não fica 100% do tempo com a máscara no rosto (se olharem bem, ela está mordendo a máscara)
  2. Não é toda criança que não chora durante a inalação (e, se chorar, vai mais medicação pra fora do que pra dentro)
  3. A quantidade de partículas da medicação que EFETIVAMENTE vai para a criança é mais baixa na inalação doméstica do que na inalação no hospital (com oxigênio) e aqui, é mais baixa do que se usada medicação em spray com espaçador.




Só que, sempre que qualquer médico fala "bombinha", os pais quase surtam. 

Então, vamos explicar: "bombinha" é o nome popular do aerossol spray dosimetrado, que é a embalagem para vários tipos de medicação inalatória. Dentro do aerossol, podemos usar:
  1. Broncodilatadores de ação rápida - Aerolin, Aerogold, Aerojet (salbutamol) ou outros tipos;
  2. Corticosteróides - Clenil HFA (beclometasona), Flixotide (fluticasona) - A budesonida em AEROSSOL SPRAY não é fabricada no Brasil desde 2008
  3. Associações de broncodilatadores e corticosteróides - Seretide (salmeterol + fluticasona)
Fora o aerossol spray dosimetrado, existem outros dispositivos inalatórios, mas que são recomendados para adultos porque exigem maturidade e força para a inalação adequada da medicação. Veja o vídeo explicativo aqui

São medicações recomendadas para uso no tratamento de manutenção da asma (quando não há crises e se quer manter assim) ou no resgate das crises. O que é importante ressaltar é que:
  1. Não viciam. Nenhuma medicação para asma vicia, pelo menos não do jeito que muitas pessoas acreditam. Se a pessoa não consegue parar de usar a medicação porque entra em crise, então é necessário repensar outros fatores que pioram a asma.
  2. Não matam. O que mata é não procurar socorro médico nas crises e achar que só usar a medicação em casa basta. Quando não há melhora, é necessário procurar ajuda médica, imediatamente.
Não, não é a Fofa, eu ainda vou tirar uma foto dela com o espaçador.
Em crianças abaixo de 6 anos e em idosos, é necessário o uso de um espaçador para que a medicação chegue direitinho ao seu destino. Como é de plástico, é muito comum que haja um pouco de eletricidade estática que faça com que a medicação "grude" nas paredes do espaçador. Para evitar isso e restabelecer o movimento browniano natural das partículas, é só misturar um pouco de detergente (um fiozinho só!) em uma bacia de água, fazer a água passar por dentro do espaçador e deixar secar por uma noite. O detergente não deixa a medicação grudar.

E, só para terminar, um dos maiores motivos de eu usar o espaçador... semana passada, levei a pessoinha pro PS pra fazer inalação com oxigênio, já que eu ainda não tinha comprado o espaçador. 20 minutos depois de chegar, ela parou no meio da recepção e gritou EU QUERO IR PRA CASA, se jogou no chão, bateu a cabeça e deu o maior piti dos últimos 2 meses. Nunca mais...
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