quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Escolinha, resfriados, "ites" e afins

Uma das maiores demandas em consultório (e pronto-atendimento) pediátrico são as tais das viroses, sejam elas respiratórias ou não. Não costuma passar uma semana sem que eu atenda uma família angustiada porque a criança, geralmente com menos de 2 anos de idade, fica doente semana sim, semana não.

E a maior preocupação é por conta da imunidade.

Se formos falar de resfriados, não é incomum que uma criança, que tenha começado a frequentar uma unidade de educação infantil, tenha até ONZE RESFRIADOS durante um ano. Isso acontece porque as crianças compartilham vírus, ou seja, sara de um resfriado, passa pro amiguinho, que por sua vez, passou outro de volta. 

Além disso, o sistema imunológico das crianças não se compara ao de um adulto. Nascemos com o Sistema Inato e o Sistema Complemento (duas partes importantes do sistema imunológico) prontos para nos defender de agressores externos, porém, o que rege a produção de anticorpos, que chamamos de Sistema Imune Adaptativo, só estará equivalente ao de um adulto, aos seis anos de idade.

Ou seja, quando nascemos, dependemos dos anticorpos maternos, passados via leite materno, para nos defender das doenças. Produzimos sim, alguns anticorpos, mas não os de memória imunológica e em quantidades ainda baixas. Isso vai melhorando conforme crescemos e, aos 2 anos, já produzimos uma quantidade boa de imunoglobulinas (por isso algumas crianças melhoram aos 2 anos), mas ainda não em níveis iguais aos dos adultos.

Claro, existem infecções que servem de alerta para deficiências do Sistema Imune (as chamadas imunodeficiências, que podem ser primárias ou adquiridas). Em 1996, a Fundação Jeffrey Modell criou os 10 sinais de alerta para imunodeficiências, justamente porque são doenças de difícil reconhecimento e diagnóstico:

  1. Duas ou mais pneumonias no último ano
  2. Quatro ou mais novas otites no último ano
  3. Estomatites de repetição ou monilíase por mais de dois meses
  4. Abscessos de repetição ou ectima
  5. Um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, osteoartrite, septicemia)
  6. Infecções intestinais de repetição / diarréia crônica / giardíase
  7. Asma grave, doença do colágeno ou doença auto-imune
  8. Efeito adverso ao BCG e/ou infecção por micobactéria
  9. Fenótipo clínico sugestivo de síndrome associada a imunodeficiência
  10. Histórico familiar de imunodeficiência
O que podemos tirar de tudo isso? Que nem sempre as doenças que começam na escolinha precisam de antibiótico, mas precisam sim, de atenção e cuidado. Na suspeita de que algo não está indo conforme o planejado, consultem o pediatra da criança (e não fiquem tão bravos quando falarem que é virose - porque 70% das doenças nessa faixa etária são causadas por vírus).

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Viajando com alérgico - The Royal Palm Plaza Resort... de novo

Não posso negar que, morando na mesma cidade que o resort e tendo o plano do Vacation Club, passar alguns fins de semana no The Royal Palm Plaza Resort se tornou um dos passeios favoritos da minha família.

Desta vez vou falar, ainda do ponto de vista do alérgico, mas já com a liberdade de poder comer sem precisar ficar paranóica com alérgenos.

Já começo com uma crítica: ainda não há placas indicativas de alérgenos nos restaurantes. As unidades do restaurante Kilimanjaro (Shopping Iguatemi Campinas e Galleria Shopping), por exemplo, embora não garantam a isenção de traços, possuem indicações no cardápio. As unidades da rede América, de São Paulo, têm cardápio exclusivo. Enquanto isso, tanto o buffet infantil, servido no Paço dos Nobres, como as refeições servidas no Terraço e no Vila Real, não possuem essa indicação. Desta vez, não encontrei nem a cestinha de produtos sem glúten e os biscoitos de polvilho da Copa do Bebê não eram mais da marca Fabitos, portanto, certamente tinham leite em sua composição.

Não vou nem falar que o que mais tinha nesse prato aí era derivados de leite...
Mas uma coisa me chamou a atenção: os monitores, na hora do cadastro, perguntam se a criança tem alguma restrição alimentar e, caso afirmativo, colocam uma pulseira amarela no pulso além da branca de identificação. 

Na boa, eu não deixaria a minha filha ficar sob o cuidado dos monitores caso ela ainda tivesse alergia alimentar. Não dá para exigir que eles fiquem de olho nela 110% do tempo para evitar que ela coma algo que faça mal. O menu do buffet infantil é MARAVILHOSO para uma criança, mas um PESADELO para os pais de uma criança alérgica, porque...

1) Não tem plaquinha. Não tem. SÉRIO. Porrrrr favorrrrr, uma plaquinha indicando os possíveis alérgenos em cada rechaud não é algo tão complicado para um resort tão tão tão bom!

2) QUASE TUDO tem leite! Ou queijo! Ou manteiga! Ou ovos! Só se salvam o arroz, o feijão e a batata frita (que a gente torce para não ter sido frita no mesmo óleo dos nuggets ou torce pros nuggets não terem leite no empanado) e fiquei em dúvida com os legumes no vapor. O macarrão é passado na manteiga e não sei se o frango grelhado também não recebe essa camadinha de gostosura láctea (eu gosto sim).

3) Sobremesa: só se salva a gelatina e olha lá. Eles fazem um sorvete caseiro ESTUPENDO, mas lógico que vai leite. Tem dias que aparece uma fruta, mas ela é mais presente no café da manhã.

Falando da parte boa, porque tudo tem que ter a parte boa, o café da manhã tem mais variedade para um alérgico (que pode consumir traços): 
  • Tem tapioca,
  • geléia,
  • frutas,
  • granola,
  • suco de frutas fresquinho, 
  • pão francês,
Mas tudoooooooooooooo sem plaquinha! Já perceberam que sou meio maníaca com essas plaquinhas...?

Nos quartos, quem tem uma criança APLV ainda tem que tomar cuidado com o chocolatinho de mimo que deixam em cima das camas: se a camareira vir que tem crianças, irá deixar o chocolate ao leite. Existe a opção do meio-amargo, mas ainda com rótulo antigo, sem a indicação de traços.

Claro que tudo é compensado pela equipe de recreação. Não importa quantas crianças tenha, a equipe é animada, gentil, maravilhosa e educada, aliás, como todos os funcionários do resort. Ficar lá é um excelente exercício de educação para as minhas meninas, porque de tanto ouvir "por favor", "obrigada", "eu que agradeço" (não que a gente não use isso em casa, mas quando todo o mundo ao seu redor joga contra, um pouco de gentileza ajuda muito), elas voltam educadíssimas para casa.

Ah, desta vez consegui ver o ambulatório em funcionamento (não com as minhas filhas)! Têm todo o equipamento básico de urgência, incluindo um torpedo de oxigênio, então crianças que precisem fazer inalação têm todo o material necessário lá :)

Prometo que o próximo Viajando com Alérgico será em um local diferente ;)
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