segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Sobre febre amarela e mosquitos

Eu queria que a primeira postagem do ano fosse mais um Viajando com Alérgico (Orlando! Disney e afins), mas quis o mosquito que as atenções fossem voltadas a ele. Como já vi escrito por aí, em tempos de crise, o Aedes aegypti diversificou suas atividades, agora ele transmite dengue, zika, chikunguya e febre amarela.

Piadas a parte, vamos primeiro às definições, pois elas são importantes para entendermos o que estamos enfrentando.

A febre amarela é uma doença FEBRIL aguda, de curta duração (máximo 12 dias), que pode variar de leve até casos graves, potencialmente fatais. Tem evolução bifásica, o que significa que tem início súbito, cursando com febre alta, pulso lento, calafrios, dor de cabeça forte, dor no corpo, prostração, náuseas e vômitos, que duram por volta de 3 dias. Depois desse primeiro período, há uma melhora, com a febre cessando dois dias depois. Pode então, evoluir para a cura ou para um segundo período de doença, considerado mais grave, com febre mais alta, vômitos escuros, diarréia, insuficiência hepática, icterícia e manifestações hemorrágicas, levando a torpor, comprometimento da consciência, até o coma.

É causado por um arbovírus, cujo reservatório natural e vetor é o mosquito da espécie Haemagogus janthinomys, sendo os hospedeiros, os macacos. O ser humano não imunizado entra no ciclo acidentalmente. E onde entra o Aedes aegypti? Ele é o vetor e reservatório natural da Febre Amarela URBANA (FAU), cujo último surto no estado de SP data de 1942.

Os casos atuais são de Febre Amarela SILVESTRE (FAS), sendo que o último surto foi em 2009. Novamente, o ser humano entra acidentalmente no ciclo da FAS, quando segue não imunizado para áreas com circulação natural do vírus.

Isso também não quer dizer que precisamos matar os macacos, como já vem acontecendo em algumas regiões de MG. Eles são nosso alerta, o indicativo de que algo anormal está acontecendo e que a vacinação precisa ser intensificada naquela região.

Falando sobre a vacinação, ainda não há recomendação para a vacinação de rotina para residentes de Campinas e RMC. A vacinação deve ser feita somente nas pessoas que irão se deslocar para áreas de risco e somente seguindo o calendário vacinal:

  • Menores de 6 meses: VACINA CONTRA-INDICADA. Deve-se procurar adiar a viagem para locais de risco e seguir as medidas de proteção contra picadas de insetos.
  • De 6 a 9 meses, moradores de área de risco em situação de surto ou com viagem inadiável para região de surto: 1 dose, seguida de 1 dose de reforço aos 4 anos de idade.
  • De 9 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade: 1 dose, seguida de 1 dose de reforço aos 4 anos de idade.
  • A partir dos 5 anos de idade, com primeira dose antes de completar 5 anos: 1 dose de reforço.
  • A partir dos 5 anos de idade, primovacinação: 1 dose, com reforço em 10 anos.
  • A partir dos 5 anos, com 2 doses documentadas: considerar imunizado. Não realizar nova dose.
  • Gestantes: VACINA CONTRA-INDICADA. Na impossibilidade de adiar a vacinação, como em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco de contrair a doença, o médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação.
  • Lactantes de bebês menores de 6 meses de idade: VACINA CONTRA-INDICADA. Recomenda-se aguardar até que o bebê tenha 6 meses ou suspender o aleitamento materno por 28 dias.
Lembrando que é necessário ficar atento às notícias, pois sempre que houver mudança nas cidades com recomendação de vacinação, é por ali que ficaremos sabendo.

A última atualização foi a inclusão das cidades: 
  • AGUAÍ
  • ÁGUAS DA PRATA
  • CACONDE
  • CASA BRANCA
  • DIVINOLÂNDIA
  • ESPÍRITO SANTO DO PINHAL
  • ESTIVA GERBI
  • ITAPIRA
  • ITOBI
  • MOCOCA
  • MOGI-GUAÇU
  • MOJI MIRIM
  • SANTA CRUZ DAS PALMEIRAS
  • SANTO ANTONIO DO JARDIM
  • SÃO JOÃO DA BOA VISTA
  • SÃO JOSÉ DO RIO PARDO
  • SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA
  • TAMBAU
  • TAPIRATIBA
  • VARGEM GRANDE DO SUL
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